"Logo elevada à categoria de diva absoluta da música Pop, Fergie - ou Stacy Ann Ferguson - nunca teve qualquer talento mas significou que o BEP deixava de ser um grupo de Rap e passava a ser uma espécie de É O Tchan americano que, assim como o similar nacional, se valia de espertalhões com conhecimento de algum ritmo nativo, alguma habilidade na produção e cara de pau suficiente para dar as fuças em toda parte, levando sua "arte" como algo digno e revestido de importância. Dito e feito. O BEP contribuiu largamente para a esterelização da música Pop americana, para a criação de um padrão acinzentado de música negra, sem alma, sem músicos, sem criatividade, apenas motivada pela pista de dança e pelas misturas de energéticos e destilados. Também forneceram grande quantidade de música para ginástica, o que, convenhamos, é quase a mesma coisa. " Texto de Carlos Eduardo Lima, direto do Monkeybuzz.
O início dos anos 1970 foi sombrio para a música. O fim dos
Beatles, as mortes de Janis e Hendrix e a Guerra do Vietnã eram o cartão de
visita da nova década. Depois de Sargeant Peppers, a música pop atingiu a
maturidade. Harmonias ficaram cada vez mais complexas e abriram as portas para
a aproximação com o erudito. Frank Zappa avançou em várias direções com suas
experimentalismo tresloucado e humor ensandecido...
A Banda do Sargento Pimenta.
Zappa.
Estavam dadas as cartas para que o novo se apresentasse. A
nova canção pop deveria ter no mínimo
cinco minutos de duração, a guitarra virava coadjuvante e a alegria juvenil
dava lugar para músicos formados em conservatórios. Letras etéreas, ficção
científica e um mundo rural estilizado. Algo tipo hippie-chic. É possível?
No universo progressivo era possível conciliar a estrutura
pop, porém em longas canções, com experimentações das mais diversas vertentes.
Acabaram se perdendo no gigantismo e nos excessos. As músicas ficaram chatas e
os shows perderam em naturalidade. Ainda bem que vieram os punks e deram um
chute na porta.
1-Yes – And
You and I
Como foi difícil escolher apenas uma música do Yes. Optei
pela pretensão. Talvez Close to the Edge seja a síntese do progressivo. Os
músicos são brilhantes: conseguem ir do jazz ao gótico, passando por ritmos
orientais e pelo rock. O teclado de Rick Wakeman é grandioso. A voz aguda de
Jon Anderson liga todos os pontos. Podia dar errado, mas deu certo! Com o
tempo, todo esse equilíbrio se perdeu. Mas a música é linda!
Genesis
2-Genesis –
I know what I like.Teatro e música elevada a décima potência. Peter Gabriel
ditava as regras. O contraste com a década de 1960, alegre e vibrante, e o
cenário britânico da época marcado por crise econômica e tensão social. No mais, um hit...
Emerson, Lake & Palmer.
3 – Emerson, Lake e Palmer – Lucky Man. É isso aí. Três
monstros. Sucesso nas rádios brasileiras. Uma baladinha daquelas.
Jethro Tull
4 – Jethro Tull – Aqualung. Uma mistura de
rock-folk-progressivo. Violão dedilhado e baixo frenético acompanhados por um
solo poderoso. A letra é piração total: no início o homem criou Deus e depois
Aqualung!
5 – Alan
Parsons Project – The Turn of a Friendly Card. Suíte completa. Memória afetiva. Meus tios
ouviam esse disco o dia inteiro. Progressivo em Buritizeiro.
Alan Parsons
6 – Marillion – Easter. Essa é da adolescência. Um disco
incrível. O vocalista, Fish, era um sub-Peter Gabriel. Bom demais!!! Trilha
sonora do carnaval de... de... de quando mesmo?
7 – King Crimson – Book of Saturday – A banda de Robert
Fripp, infelizmente pouco famoso no Brasil. É um dos gigantes do progressivo.
As improvisações são longas e as músicas excepcionais. A capa? Vocês lembram de
uma certa Legião Urbana? É uma homenagem aos caras.
Sabe aquele momento que o artista diz: " ...e agora nossa nova música de trabalho..." ? É hora de ir comprar cerveja, ir ao banheiro, fazer qualquer coisa. Mas se for em um show de Paul McCartney, nem pensar!!! Sir Macca lançou um discaço, está em plena forma.
Não precisa acreditar em mim, basta ouvir.
E ainda tem gente reclamando do cenário musical. A velha guarda está botando pra quebrar. Prá quem gosta de música pop, também tem coisa nova da Tia Elton John e do Earth, Wind & Fire (Li por aí que não deve nada pro Daft Punk). Pode ser conversinha de hipster, mas vou conferir logo, logo...
Eita mundinho injusto!!!
O silêncio sobre a morte de Lou Reed é gritante. Se o rock existe como é hoje, muito se deve a sua loucura. Nada de hippies, nem Beatles, nem rock adolescente. O esquema do Velvet era barra pesadíssima: heroína no som e na veia, distorção no máximo. O universo velvetiano era rodeado de cafetões, travestis e sadomasoquismo. A piração era tão grande que nem Jim Morrison aturava os caras. Não acreditem em mim, assustam o filme The Doors, de Oliver Stone.
Nestes momentos os clichês são inevitáveis: o Velvet Underground sempre foi um péssimo vendedor de discos. Mas pra cada disco vendido, uma banda foi formada. Claro que em Nova York, não sejamos ingênuos!
A capa do primeiro álbum é clássica: pop art, by Andy Warhol.
Lou Reed era o poeta, a estrela, John Cale o intelectual experimentalista. Em 1992 comprei New York, o disco. Não entendi nada. Lou não cantava, declamava. Um canto falado, traduzir as letras era uma missão impossível. Lembro de uma música: Good Evening Mr Walden. Como não tocava nas rádios rock? Vá entender!!!
Antes disso, ouvi Jesus & Mary Chain: eram saudados como os herdeiros do Velvet! Confiram: a música está abaixo da microfonia. A negação da arte... a morte da música. Só sei que era assim.
Depois Sonic Youth, My Bloody Valentine...
No meio disso tudo comprei o cd Live MCMXIII, acho que em 1996. Dez faixas ao vivo. Uma de dezessete minutos que só ouvi inteira depois de dez anos.
Lou Reed se perdeu no próprio universo e virou mendigo em Berlin. Ele tinha tanto senso de humor que interpretou a si mesmo no filme Tão longe, tão perto. Um dos anjos encontra com Lou pedindo esmolas e pensa: "eu que não quero virar humano". Como todo gênio, também fez besteiras monumentais: o disco gravado com o Metallica é ruim de dar dó. Um lixo. Não percam tempo.
Sem Lou Reed não teria glam rock, David Bowie, punk, gótico, noise... nada...
Houve uma época que a revolução estava nas pistas. O rock estava chato, em uma mesmice sem fim. A dance music com suas infinitas variáveis era inventiva, contraventora, iconoclasta e pop, flertava com o rap, com o jazz, música árabe (Ofra Haza no filme Colors). Deliciosamente despretensiosa e sem nenhuma aspiração a ser arte. O DJ juntava tudo em um grande liquidificador e destruía o ídolo pop, o guitar hero e as grandes bandas. Era possível juntar temas de faroeste, riff''s grudentos, batida tribal e baixo psicodélico em pouco mais de três minutos. O artista era invisível. Viva o DJ!!! O eixo da música se deslocou. Sai Londres e Nova York e entram em ação Roma, Bruxelas e Berlin (Black Box, Tecnotronic e Snap). Alemães negros, travestis italianos. O mundo em desalinho... O que importava era a música. Mais punk impossível. E pensar que tudo isso foi acabar com David Guetta no Rock in Rio. É só conferir. 1.M/A/R/S/S. 2. Bom the Bass. 3.S-Express. 4.Black Box. 5.Tecnotronic. 6.Snap.
1. Gary Numan - Cars. Vocais sem emoção acompanhadas por ondas sinfônicas de teclados! O disco é de 1979. Um misto de Bowie-Kraftwerk-Roxy Music, andróide, robô e dândi. Aí estava a fonte para Human League e Soft Cell.
Yazoo
2. Yazoo - Don't Go. A formação clássica do tecnopop. Um duo. Minimalista. Teclado e vocal: Vicent Clark e Alisson Moyet.Você conhece esse riff.
Human League
3. Human League - Dont you want me. Em uma entrevista Phil Oakey tascou essa " somos mais punks que os punks. Provamos que qualquer pessoa poderia usar a tecnologia e chegar ao Top 10". Certeiros. Fazem parte do meu playlist permanente.
Soft Cell
4. Soft Cell - Torch. Mais um duo inglês. Os músicos não gostavam muito do tecnopop e Marc Almond sabia disso. E não se importava: " Não entendo nada de música. A partir do quarto disco que aprendi a não desafinar".
5. Bronski Beat - Smalltown Boy. Outro blockbuster. Incendeia qualquer pista. Jimmy Sommerville canta uma história de fuga e solidão carregada de melancolia.
Jimmy Sommerville
6. Depeche Mode - Just can get enough. Uma banda que ultrapassou os limites do tecnopop. Conseguiu reinventar-se. Produziu um clássico, Violator. Encheu estádios e continua na ativa. Poderiam muito bem tocar no Palco Sunset do RiR. Essa é do começo da carreira.
Depeche Mode
Kraftwerk
+ 1. KRAFTWERK - Technopop. O Pai de todos. Essa música é da década de 1980. Os mestres alemães lançaram um disco deixando bem claro quem mandava no cenário. Como assim? Você não conhece Kraftwerk? Faremos um curso intensivo. Aguardem.
Prá quem não sabe, é a levada da música. Células rítmicas específicas que se encadeiam e são repetidas como um mantra, até a exaustão. Primeiro o tema, depois o groove, nos intervalos o improviso.
É só ouvir, se deixar levar. Faça o exercício, baixinho pam, pam, pam... tanrantam tanrantam...
Na sequencia um samba. O groove está no tamborim.
Jorge Ben do Samba Esquema Novo: sacundin, sacundá...
Três bandas. Sucesso de crítica e ignoradas pelo grande público. Tudo bem, melhor que seja assim.
1. De Falla: banda do verdadeiro maluco beleza do rock nacional: Edu K. Se antecipou a tudo: rock californiano, funk carioca, trash metal, tudo... Sempre antes da explosão. Uma lenda gaúcha.
2. Professor Antena: letras inteligentes e swing de primeira. O som é atualíssimo.
3.GUETO: Rap-rock paulista. Beasties Boys puro. O timbre da voz é bem parecido com a do Nasi.
Algumas músicas conseguem incomodar na primeira audição.
Desafiam o ouvinte, deixam a obviedade de lado.
O primeiro contato com o trabalho de Max de Castro foi através da música Rapadura em uma coletânea com o novo cenário rap !!! Não entendi nada, deixei pra lá.
Pouco depois veio 'Samba Raro". Agora em uma rádio que toca a nova MPB.
Pausa para digressão.
Acho o conceito MPB um equívoco, um erro conceitual. Geralmente é utilizado prá indicar o bom gosto musical. Se é nacional, não é sinônimo de qualidade. Gal Costa cantando 'Dia de Domingo'; Caetano e o 'Leãozinho'; Simone 'então é Natal', blearghhhhhhhhh, Chico Buarque. Temos aqui um caso que merece ser estudado. Tanto endeusamento por tão pouco. Tá bom, tá bom... tem Construção. E... mais nada. E por aí vai. Ou então, serve pra colocar no mesmo saco: a bossa-nova, tropicalismo (outra chatice monumental, com raras exceções...), o glam-rock dos Secos & Molhados, os beatles à mineira do clube da esquina, a piração de Raul Seixas, Sérgio Sampaio e Miriam Batucada. Essa foi pesada, pra quem não conhece, esse era o trio-base da Sociedade Grã-Kavernista. Só prá finalizar, não confie em uma rádio que toca Daniela Mercury.
Voltando.
Samba Raro é de difícil definição. É um samba torto, quebrado, fora do compasso. A voz vem arrastada, a batida eletrônica dita o ritmo. Um soul moderno. A comparação com Prince do início da carreira é inevitável, guardadas as devidas proporções obviamente, principalmente no esquema de produção: one-man-band. Produziu e tocou todos os instrumentos.
Cada música é dedicada a uma das influências de Max: Baden Powell, Carlos Imperial, Roberto Carlos, Antonio Carlos & Jocafi, Jorge Ben ...
O disco consegue manter-se incrivelmente atual. Já tem mais de dez anos que foi lançado. Escuto regularmente. Sugiro a seqüência '1Flash', 'Duas Bailarinas' e 'Você e Eu'. É romântico sem ser cafona, sexy sem ser apelativo.
Um clássico nacional. Pode chamar de MPB? Pode. Chame como quiser.
Tratar da memória musical, contar histórias, inventar tantas outras... coisa de quem já passou dos 40. A proposta era essa. Já tenho rascunhos sobre Zooropa (meu U2 preferido),
Stone Roses (o melhor disco de brit-pop de todos os anos desde 1989...
e Van Morrison (Astral Weeks, perfeito)!
Até que resolvi matar a curiosidade e conferi dois lançamentos: Daft Punk e David Bowie. A dupla eletrônica francesa e o velho camaleão. O ano tem reservados surpresas. Dois discaços como há muito não se via.
O presidente comentou sobre o disco do Daft Punk. Economizou nos elogios. Uma bomba. Um petardo. Não ouvia algo tão bom, desde os tempos de Massive Attack! Foi amor a primeira audição. Não se assuste, mas é isso mesmo. A mistura de soul-pop-eletrônico-disco-antena-um gruda igual chiclete. Nos último dias escuto de ponta-a-ponta. Já sei a sequencia de cor. Prefiro a 3: Giorgio Moroder. Nove minutos de psicodelia-jazzy, seja lá o que for isso!!! Escutem. O disco é recheado de tributos, do cultuado produtor italiano ao programa de tv Soul Train. Recomendo a audição completa, pode ir sem medo.
O próximo por favor.
Tem gente que vive xingando a Globo. Entre a programação da Platinada e das concorrentes, não penso duas vezes. A novela, qualquer uma, é melhor do que o jornalismo alheio.Tudo bem, sei que você não gosta de novelas, prefere livros, teatro, cinema, documentários, facebook, e por aí vai.
Pois levei um susto quando em horário nobre, em menos de dez minutos tocaram duas músicas de David Bowie. A genial e visionária Sound & Vision, em comercial da Sony. Por si só já salvou os neurônios musicais. Logo na sequencia, em outro comercial, mas dentro da novela, toca The Stars, enquanto a maluquete-ninfomaníaca Patrícia prepara o café da manhã. O comercial era do suco Ades.
A mensagem era clara: pessoas descoladas e livres, acordam felizes, ao som de Bowie enquanto preparam o café da manhã. Seja assim também.
Pode ter sido coincidência. Pode ter sido sincronicidade (by Jung ou Sting). Pode não ter sido nada. Mas que foram dez minutos de puro bom gosto foram.