Se o rock existe como é hoje, muito se deve a sua loucura. Nada de hippies, nem Beatles, nem rock adolescente. O esquema do Velvet era barra pesadíssima: heroína no som e na veia, distorção no máximo. O universo velvetiano era rodeado de cafetões, travestis e sadomasoquismo.
A piração era tão grande que nem Jim Morrison aturava os caras. Não acreditem em mim, assustam o filme The Doors, de Oliver Stone.
Nestes momentos os clichês são inevitáveis: o Velvet Underground sempre foi um péssimo vendedor de discos. Mas pra cada disco vendido, uma banda foi formada. Claro que em Nova York, não sejamos ingênuos! A capa do primeiro álbum é clássica: pop art, by Andy Warhol.
Lou Reed era o poeta, a estrela, John Cale o intelectual experimentalista.
Em 1992 comprei New York, o disco. Não entendi nada. Lou não cantava, declamava. Um canto falado, traduzir as letras era uma missão impossível. Lembro de uma música: Good Evening Mr Walden. Como não tocava nas rádios rock? Vá entender!!!
Antes disso, ouvi Jesus & Mary Chain: eram saudados como os herdeiros do Velvet! Confiram: a música está abaixo da microfonia. A negação da arte... a morte da música. Só sei que era assim.
No meio disso tudo comprei o cd Live MCMXIII, acho que em 1996. Dez faixas ao vivo. Uma de dezessete minutos que só ouvi inteira depois de dez anos.
Lou Reed se perdeu no próprio universo e virou mendigo em Berlin. Ele tinha tanto senso de humor que interpretou a si mesmo no filme Tão longe, tão perto. Um dos anjos encontra com Lou pedindo esmolas e pensa: "eu que não quero virar humano".
Como todo gênio, também fez besteiras monumentais: o disco gravado com o Metallica é ruim de dar dó. Um lixo. Não percam tempo.
Sem Lou Reed não teria glam rock, David Bowie, punk, gótico, noise... nada...

Foi noticiado pelo Bom Dia Brasil da Globo. Que Deus o tenha.
ResponderExcluirEntrou como 'últimas notícias' no Fantástico. Estavam todos consternados! É sério...
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