1. Gary Numan - Cars. Vocais sem emoção acompanhadas por ondas sinfônicas de teclados! O disco é de 1979. Um misto de Bowie-Kraftwerk-Roxy Music, andróide, robô e dândi. Aí estava a fonte para Human League e Soft Cell.
Yazoo
2. Yazoo - Don't Go. A formação clássica do tecnopop. Um duo. Minimalista. Teclado e vocal: Vicent Clark e Alisson Moyet.Você conhece esse riff.
Human League
3. Human League - Dont you want me. Em uma entrevista Phil Oakey tascou essa " somos mais punks que os punks. Provamos que qualquer pessoa poderia usar a tecnologia e chegar ao Top 10". Certeiros. Fazem parte do meu playlist permanente.
Soft Cell
4. Soft Cell - Torch. Mais um duo inglês. Os músicos não gostavam muito do tecnopop e Marc Almond sabia disso. E não se importava: " Não entendo nada de música. A partir do quarto disco que aprendi a não desafinar".
5. Bronski Beat - Smalltown Boy. Outro blockbuster. Incendeia qualquer pista. Jimmy Sommerville canta uma história de fuga e solidão carregada de melancolia.
Jimmy Sommerville
6. Depeche Mode - Just can get enough. Uma banda que ultrapassou os limites do tecnopop. Conseguiu reinventar-se. Produziu um clássico, Violator. Encheu estádios e continua na ativa. Poderiam muito bem tocar no Palco Sunset do RiR. Essa é do começo da carreira.
Depeche Mode
Kraftwerk
+ 1. KRAFTWERK - Technopop. O Pai de todos. Essa música é da década de 1980. Os mestres alemães lançaram um disco deixando bem claro quem mandava no cenário. Como assim? Você não conhece Kraftwerk? Faremos um curso intensivo. Aguardem.
Prá quem não sabe, é a levada da música. Células rítmicas específicas que se encadeiam e são repetidas como um mantra, até a exaustão. Primeiro o tema, depois o groove, nos intervalos o improviso.
É só ouvir, se deixar levar. Faça o exercício, baixinho pam, pam, pam... tanrantam tanrantam...
Na sequencia um samba. O groove está no tamborim.
Jorge Ben do Samba Esquema Novo: sacundin, sacundá...
Três bandas. Sucesso de crítica e ignoradas pelo grande público. Tudo bem, melhor que seja assim.
1. De Falla: banda do verdadeiro maluco beleza do rock nacional: Edu K. Se antecipou a tudo: rock californiano, funk carioca, trash metal, tudo... Sempre antes da explosão. Uma lenda gaúcha.
2. Professor Antena: letras inteligentes e swing de primeira. O som é atualíssimo.
3.GUETO: Rap-rock paulista. Beasties Boys puro. O timbre da voz é bem parecido com a do Nasi.
Algumas músicas conseguem incomodar na primeira audição.
Desafiam o ouvinte, deixam a obviedade de lado.
O primeiro contato com o trabalho de Max de Castro foi através da música Rapadura em uma coletânea com o novo cenário rap !!! Não entendi nada, deixei pra lá.
Pouco depois veio 'Samba Raro". Agora em uma rádio que toca a nova MPB.
Pausa para digressão.
Acho o conceito MPB um equívoco, um erro conceitual. Geralmente é utilizado prá indicar o bom gosto musical. Se é nacional, não é sinônimo de qualidade. Gal Costa cantando 'Dia de Domingo'; Caetano e o 'Leãozinho'; Simone 'então é Natal', blearghhhhhhhhh, Chico Buarque. Temos aqui um caso que merece ser estudado. Tanto endeusamento por tão pouco. Tá bom, tá bom... tem Construção. E... mais nada. E por aí vai. Ou então, serve pra colocar no mesmo saco: a bossa-nova, tropicalismo (outra chatice monumental, com raras exceções...), o glam-rock dos Secos & Molhados, os beatles à mineira do clube da esquina, a piração de Raul Seixas, Sérgio Sampaio e Miriam Batucada. Essa foi pesada, pra quem não conhece, esse era o trio-base da Sociedade Grã-Kavernista. Só prá finalizar, não confie em uma rádio que toca Daniela Mercury.
Voltando.
Samba Raro é de difícil definição. É um samba torto, quebrado, fora do compasso. A voz vem arrastada, a batida eletrônica dita o ritmo. Um soul moderno. A comparação com Prince do início da carreira é inevitável, guardadas as devidas proporções obviamente, principalmente no esquema de produção: one-man-band. Produziu e tocou todos os instrumentos.
Cada música é dedicada a uma das influências de Max: Baden Powell, Carlos Imperial, Roberto Carlos, Antonio Carlos & Jocafi, Jorge Ben ...
O disco consegue manter-se incrivelmente atual. Já tem mais de dez anos que foi lançado. Escuto regularmente. Sugiro a seqüência '1Flash', 'Duas Bailarinas' e 'Você e Eu'. É romântico sem ser cafona, sexy sem ser apelativo.
Um clássico nacional. Pode chamar de MPB? Pode. Chame como quiser.
Tratar da memória musical, contar histórias, inventar tantas outras... coisa de quem já passou dos 40. A proposta era essa. Já tenho rascunhos sobre Zooropa (meu U2 preferido),
Stone Roses (o melhor disco de brit-pop de todos os anos desde 1989...
e Van Morrison (Astral Weeks, perfeito)!
Até que resolvi matar a curiosidade e conferi dois lançamentos: Daft Punk e David Bowie. A dupla eletrônica francesa e o velho camaleão. O ano tem reservados surpresas. Dois discaços como há muito não se via.
O presidente comentou sobre o disco do Daft Punk. Economizou nos elogios. Uma bomba. Um petardo. Não ouvia algo tão bom, desde os tempos de Massive Attack! Foi amor a primeira audição. Não se assuste, mas é isso mesmo. A mistura de soul-pop-eletrônico-disco-antena-um gruda igual chiclete. Nos último dias escuto de ponta-a-ponta. Já sei a sequencia de cor. Prefiro a 3: Giorgio Moroder. Nove minutos de psicodelia-jazzy, seja lá o que for isso!!! Escutem. O disco é recheado de tributos, do cultuado produtor italiano ao programa de tv Soul Train. Recomendo a audição completa, pode ir sem medo.
O próximo por favor.
Tem gente que vive xingando a Globo. Entre a programação da Platinada e das concorrentes, não penso duas vezes. A novela, qualquer uma, é melhor do que o jornalismo alheio.Tudo bem, sei que você não gosta de novelas, prefere livros, teatro, cinema, documentários, facebook, e por aí vai.
Pois levei um susto quando em horário nobre, em menos de dez minutos tocaram duas músicas de David Bowie. A genial e visionária Sound & Vision, em comercial da Sony. Por si só já salvou os neurônios musicais. Logo na sequencia, em outro comercial, mas dentro da novela, toca The Stars, enquanto a maluquete-ninfomaníaca Patrícia prepara o café da manhã. O comercial era do suco Ades.
A mensagem era clara: pessoas descoladas e livres, acordam felizes, ao som de Bowie enquanto preparam o café da manhã. Seja assim também.
Pode ter sido coincidência. Pode ter sido sincronicidade (by Jung ou Sting). Pode não ter sido nada. Mas que foram dez minutos de puro bom gosto foram.