Desafiam o ouvinte, deixam a obviedade de lado.
O primeiro contato com o trabalho de Max de Castro foi através da música Rapadura em uma coletânea com o novo cenário rap !!! Não entendi nada, deixei pra lá.
Pouco depois veio 'Samba Raro". Agora em uma rádio que toca a nova MPB.
Pausa para digressão.
Acho o conceito MPB um equívoco, um erro conceitual. Geralmente é utilizado prá indicar o bom gosto musical. Se é nacional, não é sinônimo de qualidade. Gal Costa cantando 'Dia de Domingo'; Caetano e o 'Leãozinho'; Simone 'então é Natal', blearghhhhhhhhh, Chico Buarque. Temos aqui um caso que merece ser estudado. Tanto endeusamento por tão pouco. Tá bom, tá bom... tem Construção. E... mais nada. E por aí vai. Ou então, serve pra colocar no mesmo saco: a bossa-nova, tropicalismo (outra chatice monumental, com raras exceções...), o glam-rock dos Secos & Molhados, os beatles à mineira do clube da esquina, a piração de Raul Seixas, Sérgio Sampaio e Miriam Batucada. Essa foi pesada, pra quem não conhece, esse era o trio-base da Sociedade Grã-Kavernista. Só prá finalizar, não confie em uma rádio que toca Daniela Mercury.
Voltando.
Samba Raro é de difícil definição. É um samba torto, quebrado, fora do compasso. A voz vem arrastada, a batida eletrônica dita o ritmo. Um soul moderno. A comparação com Prince do início da carreira é inevitável, guardadas as devidas proporções obviamente, principalmente no esquema de produção: one-man-band. Produziu e tocou todos os instrumentos.
Cada música é dedicada a uma das influências de Max: Baden Powell, Carlos Imperial, Roberto Carlos, Antonio Carlos & Jocafi, Jorge Ben ...
O disco consegue manter-se incrivelmente atual. Já tem mais de dez anos que foi lançado. Escuto regularmente. Sugiro a seqüência '1Flash', 'Duas Bailarinas' e 'Você e Eu'. É romântico sem ser cafona, sexy sem ser apelativo.
Um clássico nacional. Pode chamar de MPB? Pode. Chame como quiser.
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